Resenha de Livro
Trabalhador do conhecimento: O que existe fora do quadrado?
Jenner Luís Puia Ferreira
Mestre em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília
Núcleo de Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação
Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal – UNIDERP
jenner@ibecon.org.br
A realidade com a qual a Sociedade do Conhecimento se impôs nos últimos anos fez com que as organizações se voltassem para a gestão do conhecimento como fonte de vantagem competitiva, porém, muito além de “o que” gerir está “quem” gerir. Quem é esse profissional que surge: O trabalhador do conhecimento?
Respaldado por vários artigos e dez livros, em “Pensando fora do quadrado”, Daven-port mostra o seu entendimento sobre o trabalhador do conhecimento, suportado por pesquisas realizadas em centenas de empresas com esses trabalhadores, cujo foco foi discutir não apenas características, mas, também, possíveis caminhos para aperfeiçoar o trabalho desempenhado por eles.
No primeiro capítulo, ao definir o que é um trabalhador do conhecimento, fica claro para o leitor, acostumado com as discussões sobre a importância do conhecimento na economia, que as técnicas tradicionais de gerenciamento não se aplicam a esse profissional em função da autonomia, motivação e atitudes que norteiam suas ações.
Este trabalho “tende a não ter uma estrutura bem definida”, alerta Davenport.
A base para as discussões principais é complementada no segundo capítulo, ao ser apresentada uma proposta de classificação dos tipos de trabalhadores do conhecimento tendo em vista o grau de colaboração e expertise no trabalho. Esse entendimento, aliado aos tipos de atividade do conhecimento (descoberta, criação, compilação, distribuição e aplicação), já nos permite, por exemplo, estruturar a forma de abordagem a ser tomada com vistas à inovação.
No capítulo seguinte, a produtividade dos profissionais do conhecimento é questionada como justificativa para as questões: intervir ou não no trabalho realizado? Por que intervir? Como medir esse trabalho? As respostas apresentadas já mostram o porquê de técnicas como reengenharia, elaboração de roteiros, processos mediados por computador e tratar os trabalhadores do conhecimento de maneira igual não trazem resultados satisfatórios. Estaria aqui uma das dificuldades em se implantar gestão do conhecimento na administração pública?
A partir desse ponto, Davenport organiza a intervenção no trabalho do conhecimento tratando este trabalho como um processo, tomando, sim, certos cuidados, tais como: tornar esse processo o mais participativo possível, estar adequado ao tipo de trabalho além de fazer a intervenção de maneira participativa, incremental e contínua.
O papel das tecnologias da informação é discutido nos capítulos cinco e seis, nos âmbitos organizacionais e pessoais, respectivamente. O resultado nos leva, na esfera organizacional, à importância em se identificar o tipo de trabalho a ser realizado para que a ferramenta escolhida possa “ampliar o número de experts humanos e não, substituí-los”. No aspecto pessoal, a produtividade se mostra diretamente vinculada com a capacidade de gerir as informações utilizadas pelo trabalhador do conhecimento.
Os estudos relatados por Daven-port no capítulo 7 mostram a importância do networking para o profissional do conhecimento que entende ser essa a melhor maneira de obter informações importantes, reforçando a característica tácita desses profissionais e a importância da socialização do conhecimento adquirido por eles.
O ambiente físico de trabalho desses profissionais, embora pouco estudado, também é abordado tendo em vista características como necessidade de concentração, mobilidade em função do trabalho, preferência pelo trabalho em escritórios, comunicação com pessoas próximas e simplicidade.
Por fim, Davenport reconhece que gestão e gerentes continuarão a existir, entretanto, essa incumbência também será assumida por um trabalhador do conhecimento, o que o coloca no papel de jogador/treinador, tendo que criar um ambiente adequado e propício à produtividade e criatividade desses profissionais, pois, caso contrário, quais serão as conseqüências?
Extraído da Revista SBGC (Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento) Nº 01. Agosto de 2006
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